August 28, 2021
From World Peace Council
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The Portuguese Council for Peace and Cooperation (CPPC) reaffirms its solidarity with the Afghan people, who are facing the tragic consequences of decades of interference, destabilisation and war promoted by the United States of America, NATO and its allies.

The withdrawal of US troops and those of its allies, who have militarily occupied Afghanistan for two decades, and the seizure of power by the Taliban, constitute an unequivocal defeat for all those who bet on war and occupation to impose their interests.

From the outset the CPPC opposed the US and NATO war against Afghanistan, as well as the association of Portugal and the participation of the Portuguese Armed Forces in this aggression against another people.

As early as October 2001, the CPPC warned that “the war against Afghanistan is not the solution for the problems of terrorism. Rather, it is creating new tragedies for the Afghan people».

Today, almost 20 years later, what the CPPC warned then is confirmed. Hundreds of thousands of people were killed or injured, torture was inflicted, opium production increased, illegitimacy and corruption characterised the regime imposed by the occupiers, the poverty of the overwhelming majority of the population and destruction mark the reality in this country, millions of people were forced to move to other areas or take refuge in other countries, thousands of millions were spent on war.

The CPPC also recalls that the main responsibility for promoting obscurantism and terrorism in that Central Asian country falls precisely on the United States of America, NATO and its allies, due to their destabilising and aggressive action against the Democratic Republic of Afghanistan, proclaimed in April 1978 following the Saur Revolution.

The Democratic Republic of Afghanistan meant important achievements and social progress, including the institution of rights for Afghan women.

However, the support, funding and arms by the US and its allies to the so-called mujahideen and, later, to the Taliban, plunged Afghanistan into war, social backwardness, obscurantism, particularly affecting women and their rights.

It should be noted that the US and its allies applied the same practices of interference and subversion in other countries, including the instrumentalization of fascist and terrorist groups, as in Syria – with Al-Qaeda or ISIS – or in Ukraine – with the Right Sector or the Azov Battalion – to impose regime changes and achieve their goals.

Appealing to the need to draw lessons from the developments in Afghanistan, the CPPC reaffirms that it is up to the Afghan people, like all other peoples in the world, to decide their destiny without external interference, hence it is urgent to respect and implement the principles of the United Nations Charter, respecting peace, the rights of peoples, the sovereignty of States, and ending all wars, interferences, aggressions against other countries and peoples.

August 20
The National Board of the CPPC

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Pelos direitos e a soberania – garantir a paz no Afeganistão

O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) reafirma a sua solidariedade ao povo afegão, que enfrenta as dramáticas consequências de décadas de ingerência, desestabilização e guerra promovidas pelos Estados Unidos da América, a NATO e os seus aliados.

A retirada das tropas norte-americanas e das dos seus aliados, que ocupam militarmente o Afeganistão há duas décadas, e a tomada do poder pelos talibãs, constituem uma inequívoca derrota de todos quantos apostaram na guerra e na ocupação para impor os seus interesses.

O CPPC opôs-se desde o primeiro momento à guerra dos EUA e da NATO contra o Afeganistão, assim como à associação de Portugal e à participação das Forças Armadas portuguesas nesta agressão contra outro povo.

Logo em Outubro de 2001, o CPPC alertava que «a guerra contra o Afeganistão não é solução para os problemas do terrorismo. Antes está a causar novas tragédias ao povo afegão».

Hoje, quase 20 anos passados, confirma-se o que então o CPPC alertou. Centenas de milhares de pessoas foram mortas ou feridas, foi infligida a tortura, a produção de ópio aumentou, a ilegitimidade e a corrupção caracterizou o regime imposto pelos ocupantes, a pobreza da esmagadora maioria da população e a destruição marcam a realidade neste país, milhões de pessoas foram obrigadas a deslocarem-se para outras localidades ou a refugiarem-se noutros países, milhares de milhões foram gastos com a guerra.

O CPPC recorda ainda que cabe precisamente aos Estados Unidos da América, à NATO e aos seus aliados a responsabilidade principal pela promoção do obscurantismo e do terrorismo naquele país da Ásia Central, pela sua ação desestabilizadora e agressiva contra a República Democrática do Afeganistão, proclamada em abril de 1978 na sequência da Revolução Saur.

A República Democrática do Afeganistão significou importantes conquistas e progressos sociais, nomeadamente a instituição de direitos para as mulheres afegãs.

No entanto, o apoio, financiamento e armamento dos EUA e seus aliados aos então chamados mujahidin e, posteriormente, aos talibã, mergulhou o Afeganistão na guerra, no retrocesso social, no obscurantismo, atingindo particularmente as mulheres e os seus direitos.

Importa referir que os EUA e seus aliados aplicaram as mesmas práticas de ingerência e subversão noutros países, incluindo com a instrumentalização de grupos de cariz fascista e terrorista, como na Síria – com a Al-Qaeda ou o ISIS – ou na Ucrânia – com o Setor de Direita ou o Batalhão Azov – para impor mudanças de regime e alcançarem os seus objetivos.

Apelando à necessidade de retirar lições dos acontecimentos no Afeganistão, o CPPC reafirma que cabe ao povo afegão, como a todos os outros povos do mundo, decidir do seu destino sem ingerências externas, pelo que é urgente respeitar e concretizar nas relações internacionais os princípios da Carta das Nações Unidas, respeitando a paz, os direitos dos povos, a soberania dos Estados, e acabando com todas as guerras, as ingerências, as agressões contra outros países e povos.

20 de Agosto

Direção Nacional do CPPC




Source: Wpc-in.org